domingo, 30 de janeiro de 2011

Viver ou sobreviver? Eis a questão

Bem, a pouco li um texto que me fez refletir sobre a qualidade de vida das pessoas e qual rumo eu vou querer tomar para a minha vida, então resolvi compartilhar esse texto aqui para vocês pensarem sobre a vida que levam e se esse estilo de vida realmente vale a pena.


Monumento a um jovem monolito



Ao completar trinta anos, você ganhará os olhos duros dos sobreviventes. Só verá sua amada na parte da manhã e da noite, só encontrará seus pais de vinte em vinte dias. E quando seus velhos morrerem, você ganhará um dia de folga para soluçar e gritar que deveria ter ficado mais próximo deles. Sorria, você é um jovem monolito e a vida vai ser pedrada. O trabalho é uma grande cadeia e você sentirá muito alívio por ter uma. A cadeia engrandece o homem. E o sangue do dinheiro tem poder. Reze. Reze ajoelhado por uma carreira, dê a sua vida por ela. Viva como todo mundo vive, você não é melhor que ninguém. Porque o dinheiro move montanhas, o dinheiro é a igreja que lhe dará o céu. Sorria, você é um jovem monolito e o mundo é uma pedreira. Eles irão moer você todinho. De brinde, muitos domingos para chorar sua falta de tempo ou operar uma tendinite. Nas terríveis noites de domingo, beba. Beba para conseguir dormir e abraçar mais uma monstruosa segunda-feira. Aquela segunda-feira que deixa cacetes moles e xoxotas secas para sempre. A vida é uma grande seca, mas ninguém sente calor: Nas salas refrigeradas, seus colegas de trabalho fabricam informação e, frios, sonham com o dia dez do próximo mês. Você é o Babaca do Dia Dez, não há como mudar o seu próprio destino. Babaca que acorda assustado, porque ninguém deve atrasar mais de vinte e cinco minutos. Eles descontam em folha e você é refém da folha, do salário, do medo. Ninguém tem o direito de ser feliz, mas você ganhará a sua esmola de seis feriados por ano. E todos nós vamos enfrentar, juntos, um imenso engarrafamento até a praia. Para fingir que ainda estamos vivos. Para mostrar que ainda somos capazes de sentir prazer. Para tomar um porre de caipirinha sentado em uma cadeirinha de praia. É uma grande solução. E você ainda ganhará quinze dias de férias para consertar a persiana, pagar contas, fazer uma bateria de exames. Ninguém quer morrer do coração, ninguém quer viver de coração. Eu não duvido da sua capacidade de vencer: Lembre disso no primeiro divórcio, no primeiro infarto, no primeiro AVC.

2 comentários:

  1. Texto muito boom!
    Só mudaria uma palavra na ultima frase: Eu não duvido da nossa capacidade de SOBREVIVER, se iremos vencer... bem, já é uma grande vitória ainda estarmos vivos (rs)
    O sistema é bruto, como muitos dizem, e querendo ou não temos que dançar conforme a música.
    Alguns dançam muito bem!

    Abçs.
    axoou.blogspot.com

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  2. Excelente texto, escrevi uma poesia sobre esse assunto no meu blog a pouco tempo....

    "Os grandes

    "Às vezes, penso: ora, essas pessoas são bem intencionadas, mas são ignorantes." (Henry Thoreau)


    Trabalham por dinheiro
    Gastam por luxo
    Amam por comodidade
    Riem sem vontade
    Trasam sem tesão
    Julgam sem razão
    Discriminam por diversão
    Falam por falar
    Casam sem amor
    Convivem por obrigação
    Choram sem emoção
    Rezam sem fé
    Bajulam-se por interesse
    Vivem por viver
    São grandes...
    Onde a grandeza é de uma pequenez imensurável"

    http://www.maquinacoes.blogspot.com/

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